Posted by: Fabio Fernandes | 20 de March de 2016

Encontros no Pará para a salvaguarda da capoeira em abril 2016

encontrosEm abril, ocorrerão os Encontros Regionais para a Salvaguarda da Capoeira no Pará. Os eventos têm por objetivo promover a participação dos grupos que produzem, transmitem e atualizam as manifestações culturais associadas à prática da Capoeira, na elaboração de diretrizes para as ações de salvaguarda.

Durante os encontros, promovidos pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), em parceria com o Grupo de Trabalho Interinstitucional para a Salvaguarda da Capoeira no Pará, também haverá uma ampla consulta pública de modo a construir um plano de salvaguarda de maneira democrática e participativa.

A primeira etapa dos encontros ocorreu em novembro de 2015, com a participação de cerca de 50 Mestres e representantes de grupos da Região Metropolitana de Belém. E outras três fases estão previstas para os dias 02 de abril: Etapa Região Rio Guamá, em Castanhal. 09 de abril, Etapa Região Rio Caetés, em Capanema. 23 de abril, Etapa Região Marajó I, em Salvaterra. 30 de abril, Etapa Região Rio Tocantins, em Cametá.

Além disso, para elaboração do plano de salvaguarda as discussões serão divididas em três temas:
1) Capoeira, Educação, Esporte e Lazer;
2) Capoeira: Apoio, Fomento e Sustentabilidade e
3) Capoeira: Identidade e Diversidade.

A expectativa é de contemplar mais de 50 municípios, com a participação de cerca de 200 Mestres e representantes de grupos de capoeira. Os indicados os para compor o Comitê Gestor da Salvaguarda da Capoeira no Pará serão anunciados no final de cada reunião.

Fonte: https://casadopatrimoniopa.wordpress.com

Posted by: Fabio Fernandes | 11 de February de 2016

Em 2016 editais irão fomentar novos Pontos de Cultura

pontos-cultura-internaO Cultura Viva é um sistema federativo no qual os municípios e estados brasileiros podem montar a sua própria Rede de Pontos de Cultura, contribuindo assim com a ampliação desta política e fortalecendo a capilaridade do programa. As redes são formadas a partir de convênios efetuados ent
re a Secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural e os Municípios ou Estados, preferencialmente através das Secretarias ou Fundações municipais de Cultura.

A partir deste investimento, as redes formadas lançarão novos editais para Pontos de Cultura possibilitando para 2016 mais centenas de grupos fomentados. Os novos editais contarão já com duas ferramentas importantes implementadas pela Lei Cultura Viva, o Termo de Compromisso Cultural – TCC, que é um novo instrumento de parceria entre o governo e os Pontos que receberão recursos e torna a prestação de contas e o repasse de recursos mais simplificados e a autodeclaração, que permite que entidades da área cultural se reconheçam como Pontos de Cultura sem necessariamente terem sido fomentadas pelo MinC.

para maiores informações visite o site http://www.culturaviva.gov.br

Fonte: http://culturaviva.gov.br/2016/02/04/em-2016-editais-irao-fomentar-novos-pontos-de-cultura/# . acessada em 11/02/2016

Posted by: Fabio Fernandes | 2 de September de 2015

Eleições Conselho Nacional de Política Cultural 2015

Já estão marcadas as datas para os encontros presenciais do processo eleitoral para os Colegiados Setoriais e o Plenário do Conselho Nacional de Política Cultural (CNPC). Essa é uma boa oportunidade das comunidades de praticas culturais como a capoeira de marcarem presença neste processo. Principalmente em regiões que são históricamente tidas como periféricas em sem visibilidade em âmbito acional como a região norte.
distrito_federal_uma_semanaEm cada um dos encontros, os participantes poderão manifestar suas ideias para aperfeiçoar as políticas culturais e se inscrever no processo como eleitores (maiores de 16 anos) e/ou candidatos (maiores de 18). De acordo com o diretor do Sistema Nacional de Cultura e Programas Integrados da SAI, Eduardo Mattedi, serão disponibilizados ao público terminais de acesso à plataforma digital na qual são registradas as inscrições. Clique aqui para ver as datas dos encontros em cada estado.

(informações retiradas do site do CNPC http://cultura.gov.br/votacultura/) em 02 de setembor de 2015

Posted by: Fabio Fernandes | 11 de October de 2014

Os Cativos do Daomé – O rei africano que escravizava

Em uma caixa em que são reunidas comunicações entre São Tomé e Portugal, no Arquivo Histórico Ultramarino (AHU), em Lisboa, uma correspondência chama atenção para o comércio de escravos entre um reino africano e a Coroa Portuguesa. Trata-se da carta do _MG_9278rei do Daomé (hoje República do Benin), para o príncipe regente Dom João, escrita em 20 de novembro de 1804.

Fundado no século XVII, o reino do Daomé mantinha a economia centrada na captura e venda de escravos para os europeus, o que também colaborava para influenciar sua estrutura política e social. O local era conhecido pelos portugueses como Costa dos Escravos, localizado na África Ocidental. Nesta época, o rei do Daomé era Adandozan, que não é de todo desconhecido na historiografia. O próprio etnólogo Pierre Verger (1902-1996) o mencionara em alguns de seus textos, como o livro Fluxo e Refluxo: tráfico de escravos entre Benin e a Bahia. As comunicações do rei africano com reinos europeus, principalmente o portugês, são conhecidas também por outros autores, como Luis Nicolau Parês que, em texto publicado na Revista Afro-Asia, chega a montar uma tabela com 14 cartas remetidas por Adandozan a autoridades da governança portuguesa.

No final de uma destas cartas, uma surpresa. O escrivão português, que se encontrava preso havia 23 anos naquele reino, se arrisca e faz um suplício ao Príncipe Regente:

Vossa Real majestade me queira perdoar o meu grande atrevimento, como me mandam escrever esta à força, a fiz por não ter outro remédio, pois quem poderá expressar o que viu é este que vai por nome Innocencio. Como eu há 23 anos ainda não achei outro cristão como este, ele fará aviso do que viu e o que padeceu e como tratam os pobres portugueses nesta terra. Eu faço este pequeno aviso porque todos quantos assistem na vista desta não sabem ler, e não me estendo mais por não causar desconfiança. Meu senhor Jesus Cristo queira se lembrar de todos quantos aqui estão penando[.] Deus dê todas as felicidades a Vossa Majestade como quem deseja que sou humilde vassalo João Tathe, português.

A história do tráfico uniu diversas sociedades e etnias e representou a transformação de muitas culturas na América, na Europa e na África. Muitos homens sobreviveram a ele ao longo dos séculos. Nem sempre o africano encontrou-se em situação desvantajosa em relação aos europeus. Estes, certamente, utilizaram seu poder bélico e a posse de mercadorias valiosas para conseguir acesso a sobas africanos que por sua vez converteram esses bens em mais poder e prestígio para sua linhagem dentro da sociedade africana, em suma, em riquezas materiais e imateriais que colaborava para sua manutenção no poder. A carta de Adandozan é importante para que se superem versões equivocadas sobre a história da África, do tráfico Atlântico de escravos e dos africanos.

Rodrigo Amaral é Professor da Universidade Cândido Mendes; Coordenador Geral dos Cursos de História, Letras e Pedagogia da Universidade Cândido Mendes; Coordenador de Pesquisa da Faculdade Simonsen; Autor da Tese: Concessão ou Conquista?, UFRJ, 2010.

Texto completo em http://www.revistadehistoria.com.br/secao/artigos/os-escravos-do-daome

Posted by: Fabio Fernandes | 29 de September de 2014

Edital Prêmio de Culturas Afro-Brasileiras


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Comunidades quilombolas, povos e comunidades tradicionais de matriz africana e outros coletivos negros terão mais uma oportunidade de fomento a suas expressões culturais. Trata-se do Prêmio de Culturas Afro-brasileiras, lançado nesta segunda-feira (22), que busca reconhecer e apoiar iniciativas culturais dos grupos que disseminam a cultura negra. A iniciativa é uma parceria entre a Secretaria da Cidadania e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SCDC/MinC) e a Fundação Cultural Palmares (FCP). O projeto vai selecionar e premiar 60 iniciativas culturais dos grupos que disseminam a cultura negra. Inscrições podem ser feitas até 6 de novembro pela internet ou pelo correio. Saiba mais e participe.

+Maiores informações e Inscrições no site: http://bit.ly/1pqzt8g

Posted by: Fabio Fernandes | 27 de May de 2014

Audiência Pública para Reconhecimento da Capoeira como Profissão

CE - Comissão de Educação, Cultura e Esporte

Com a presença dos Mestres Tabosa e Esquisito na mesa a audiência trouxe questões importantes para a discussão da profissionalização da Capoeira. A visão predominante é de que regulamentação só será legítima se reconhecer a capoeira como atividade multidimensional – ao mesmo tempo luta, dança e arte – além de fator de socialização, criação de identidade e de transmissão de memória ancestral. Veja mais informações no link Audiência Pública para Reconhecimento da Capoeira como Profissão

Posted by: Fabio Fernandes | 14 de April de 2013

Pai João Capoeira e Navalhista

Capa Batuque

Mais uma passagem da capoeiragem pela amazônia se deu nos versos do poeta Bruno de Menezes, nascido em 1893 no bairro do Jurunas, em Belém do Pará, deixou um importante legado a cultura amazônida em seus versos e prosas, falecendo em 1963 na cidade de Manaus. Em seu livro “Batuque” publicado pela primeira vez em 1931, o poeta conta a história de Pai João, capoeira e navalhista que cisma no tempo de ontém, que de tanta desordem e furdunço, foi recrutado para Guerra do Paraguai lutar. Segue abaixo o texto…

Pai João

Pai João sonolento bambo na pachorra da idade

Cisma tempo de ontém.

De olhos vendo o passado recorda o veterano

A vida brasileira que ele viu e gozou e viveu!

Mãe Maria contou que o pai dele era escravo…

Moleque sagica e teso, destro e afoito num rolo,

Pai João teve fama de capoeira e navalhista.

– Eita!… era o pé comendo,

quando a banda marcial saía à rua,

com tanto soldado de calça encarnada.

E rabo-de-arraia, cabeçada na polícia,

xadrez, desordens, furdunço no cortiço

e o ronco e o retumbo do zonzo som molengo do carimbó.

“Juvená

Juvená!

Arrebate

esta faca

Juvená!

Arrebate

esta faca

Juvená!”

De amores… uma anágua de renda engomada,

um cabeção pulando nos bicos duns peitos,

umas sandálias brancas bem na pontinha dum pé.

E o rebolo bolinante dos quartos roliços da Chica Cheirosa…

E a guerra do Paraguai! Recrutamento!

Gurjão! Osório! Duque de Caxias!

Itororó! Tuiutí! Laguna!

E não sabia nem o que era monarquia!

… Agora, sonolento o bambo,

tendo em capuchos a trufa,

Pai João ao recordar a vida braisleira,

que ele viu e gostou e viveu,

diz do Brasil de ontém:

AH! MEU TEMPO!…

Posted by: Fabio Fernandes | 9 de March de 2013

Vicente Salles, Capoeiragem e Boi Bumbá na Amazônia

ImagemNa semana de sua morte resolvi me dedicar a escrever sobre a importância de Vicente Juarimbu Salles para a pesquisa sobre a prática da capoeira no Pará. Natural da vila de Caripi, município de Igarapé-Açu situado na zona bragantina no nordeste paraense. Formou-se como Bacharel em Ciências Sociais pela antiga Universidade do Brasil, atualmente Universidade Federal do Rio de Janeiro. Recebeu o título de Doutor Honoris Causa da Universidade Federal do Pará em 2011 por sua grande e inestimável contribuição para a pesquisa sobre a cultura paraense e amazônida.

Vicente Salles foi o percussor dos estudos sobre a capoeira no Pará levantando informações sobre a capoeiragem paraense no século XIX e suas relações com o Boi Bumbá em Belém. Em seu livro “O Negro no Pará-sob o regime da escravidão” abriu novos horizontes ao estudo do negro na Amazônia, mostrando que o negro também foi uma presença marcante na formação da sociedade do norte e mostrando suas particularidades e similaridades em relação as demais regiões do Brasil.

Sobre a capoeiragem e o boi bumbá em Belém Vicente Salles descreve “(…) [o boi bumbá] era um folguedo insólitoagressivo, que derivava frequentemente em baderna, com ação e atuação de capoeiras(…)” 

Posted by: Fabio Fernandes | 20 de February de 2013

Regulamentação da atividade de Capoeira

Imagem

Regulamentação no Projeto de Lei PL 5222/2009 Dispõe sobre a regulamentação da atividade de capoeira e dá outras providências.

O Congresso Nacional decreta:

Art. 1º.É livre o exercício da atividade de capoeira em todo território nacional.

Art. 2º. A atividade de capoeirista aplica-se a todas as modalidades em que a capoeira se manifesta, seja como esporte, luta, dança, cultura popular e música.

Art. 3º. A capoeira, em todas as suas modalidades, é declarada bem de  natureza imaterial, na forma do art. 216 da Constituição Federal, devendo o Poder Executivo tomar as providências necessárias para proceder ao seu registro e divulgação.

Art. 4º. É livre a atividade de capoeira nas modalidades de esporte, luta, dança, cultura popular e música, devendo ser incentivadas e apoiadas pelas  instituições públicas e privadas.

Parágrafo único. A capoeira nas modalidades luta e esporte é considerada como atividade física e desportiva, podendo ser exercida na forma lúdica, amadora e profissional.

Art. 5º. Ficam reconhecidas como profissão as atividades de 2 capoeira nas modalidades luta e esporte.

Parágrafo único. Ficam reconhecidos como Contramestre e Mestre os profissionais com dez anos ou mais na profissão.

Art. 6º. É privativo do capoeirista profissional:

I – o desenvolvimento com crianças, jovem e adultos das atividades esportivas e culturais que compõem a prática da capoeira em estabelecimentos de ensino e em academias;

II – ministrar aulas e treinamento especializado em capoeira para atletas de diferentes esportes, instituições ou academias;

III – a instrução acerca dos princípios e regras inerentes às modalidades e estilos da capoeira;

IV – a avaliação e a supervisão dos praticantes de capoeira;

V – o acompanhamento e a supervisão de práticas desportivas de capoeira e a apresentação de profissionais;

VI – a elaboração de informes técnicos e científicos nas áreas de atividades físicas e do desporto ligados à capoeira.

Art.7º. Fica a cargo do Poder Executivo a criação dos Conselhos Federal e Regionais dos capoeiras.

Art.8º. As unidades de ensino superior que ministrem cursos de graduação em Educação Física manterão em sua grade curricular a formação em capoeira nas modalidades luta e esporte.

Art.9º. As unidades de ensino fundamental e médio integrarão em sua grade curricular a prática da capoeira nas modalidades de luta, dança, cultura popular e música.

Art.10. Fica instituído o Dia Nacional da Capoeira e do Capoeirista a ser comemorado anualmente no dia 12 de setembro.

Art.11. Compete aos órgãos públicos de educação, esporte, cultura e lazer promover atividades que explorem as origens culturais e históricas 3 da capoeira, bem como sua prática nas diversas modalidades referidas nesta lei.

Art. 12. Esta lei entra em vigor na data de sua publicação.

JUSTIFICATIVA

A capoeira é uma expressão cultural que mistura esporte, luta, dança, cultura popular e brincadeira, desenvolvida por descendentes de escravos africanos trazidos ao Brasil, além de representar a resistência dos negros à escravidão.

Poucos se lembram, mas um dia a arte da capoeira já foi considerada criminosa e sua prática banida. Estávamos no início do período republicano e uma das providências do Presidente Marechal Deodoro da Fonseca foi editar um decreto (Decreto-Lei nº 487, de 1890), determinando que todo capoeirista pego em flagrante seria desterrado para a Ilha de Fernando de Noronha. A criminalização durou até 1937, quando, por iniciativa do Presidente Getúlio Vargas, a capoeira foi descriminalizada e reconhecida como esporte autenticamente nacional. Desde então a capoeira vem crescendo no Brasil e se espalhando pelo mundo. Tendo em vista a importância da capoeira como patrimônio de nossa cultura e sua disseminação como esporte, dança, cultura popular, lazer e meio de inserção social, propomos o presente Projeto de Lei como forma de regulamentar e incentivar a capoeira no Brasil.

A capoeira é inequivocamente um traço cultural indelével de nossa identidade cultural, expressando-se como arte, ofício e alternativa profissional para muitos brasileiros. A capoeira tem estrutura bem diferenciada, conseguindo, a um só tempo, manifestar-se como luta, jogo e dança, além de configurar um eficiente sistema de autodefesa genuinamente brasileiro.

O folclorista Francisco Pereira da Silva assevera que:

“Nenhum fato relacionado com a cultura popular brasileira terá suscitado tanto e tão prolongado debate quanto a Capoeira. Sua procedência, a origem do nome, as implicações na ordem social determinaram discussões que até tempos recentes incitaram os espíritos. Etimologistas, antropólogos, folcloristas, historiadores, têm participado na pugne literária com os seus pareceres, testemunhos ou palpites. Enquanto isso ia à polícia ‘contribuindo’ com o argumento velho do chanfalho e pata de cavalaria…”

A ilustre Deputada Alice Portugal, em seu Projeto de Lei nº 1.271, que “Acrescenta parágrafo único ao art. 2º da Lei nº 9.696, de 1º de setembro de 1998″, tece profundas e pertinentes ponderações sobre a capoeira, razão pela qual pedimos a devida vênia para incluir aqui parte de sua justificação dessa valiosíssima atividade cultural nacional:

“A Capoeira já foi motivo de grande controvérsia entre os estudiosos de sua história, sobretudo no que se refere ao período compreendido entre o seu surgimento – supostamente no século XVII, quando ocorreram os primeiros movimentos escravos de fuga e rebeldia – e o século XIX, quando aparecem os primeiros registros confiáveis, com descrições detalhadas sobre sua prática.

Tem ela uma história acidentada, pontilhada de episódios vexatórios e truculentos. Perseguida desde o começo, no caldeirão que misturou as várias etnias que formam o nosso povo, ganhou fama de má prática, coisa de “malandros”, “vadios”. A perseguição durou até a década de 1930, quando, graças principalmente ao trabalho de Mestre Bimba – “Grande Mestre da Capoeira” – e seus discípulos, inaugurou-se a fase de efetiva sistematização do ensino da capoeira e de seu reconhecimento social, assim como o de todas as outras manifestações culturais de matriz africana. O nome “CAPOEIRA” deu-se em função do seguinte: os Escravos ao fugirem para as matas tinham no seu encalço os famigerados Capitães do Mato, enviados pelos senhores.

Os escravos em fuga reagiam e os atacavam nas clareiras de mato ralo, cujo nome é capoeira, com pés, mãos e cabeças, dando-lhes surras ou até mesmo matando-os. Os que sobreviviam voltavam para os seus patrões indignados. Estes perguntavam: “Cadê os negros? e a resposta era: “Eles nos pegaram na capoeira”. Referindo-se ao local onde foram vencidos. A Capoeira no meio das matas era praticada como luta mortal. Já nas fazendas, era praticada como brinquedo inofensivo, pois ela estava sendo feita sob os olhares dos Senhores de Engenho. Naquele momento se transformou em dança. Para disfarçarem a luta utilizavam a ginga, a base de qualquer “capoeirista”; e é dela que saem todos os golpes. Esse disfarce foi fundamental para a sobrevivência dos escravos, pois a Capoeira é, principalmente, na sua origem, uma luta de resistência. A capoeira reúne todos estes componentes originais, o que lhe outorga uma excepcional riqueza artística, melódica e dinâmica; um enorme potencial evolutivo e finalmente, uma gama intensa de aplicações esportivas, coreográficas, terapêuticas, pedagógicas etc., que abrange desde o simples jogo às franjas das artes marciais e da defesa pessoal.” Pelo exposto, peço aos nobres pares o apoio necessário para a aprovação da matéria. Sala das Sessões, em 19 de fevereiro de 2008. Deputado Calos Zarattini.

Fonte; Câmara dos Deputados e edição: Ascom do Deputado Professor Sétimo.

Posted by: Fabio Fernandes | 17 de January de 2013

Curso a distancia de Patrimonio Imaterial – IPHAN

Curso livre a Distancia de Patrimonio Imaterial

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